Amanhã é teu aniversário.
Há uns anos atrás li uma crônica de uma jornalista em que ela fazia a comparação de um homem a um prato a ser preparado.
Vou fazer uma homenagem a ti, usando a criativa idéia dela, e preparar um prato especial como se fosse preparar um risoto, uma massa ou mesmo uma torta de morangos.
Mulheres como eu (quanta pretensão!!??) acreditam que os homens prontos, aqueles que valem a pena ser degustados, sem risco nenhum de intoxicação alimentar, não existem mais.
Estão ou foram extintos.
Nossas refeições nestes anos de tantas estações que vivemos, ficam parecendo àqueles almoços ou jantares de comida a quilo: bons, desde que se coma rápido e não se pense muito.
Como somos eternas gulosas e otimistas, e, também, acreditamos que os sonhos são sempre sonhos, resolvi brincar de “chef de cozinha” e preparar um homem que possa saciar uma fome maior do que aquela que faz o estômago roncar.
Ah sim!!! Os ingredientes? O principal, um homem e os temperos, aqueles colhidos no dia a dia, nas vivências de tantas descobertas, preparos e degustações.
Portanto, qualquer semelhança de ingredientes ou temperos, não é mera coincidência!
Vamos lá. Prá começar devo dizer que uma refeição, necessariamente, para ser perfeita precisa de três pratos: o antepasto, o prato principal e a sobremesa.
Antepasto
Como sou exigente, quero algo mais rico em ingredientes do que uma simples salada.
Algo que misture, de forma harmônica, os crus, os cozidos, os salgados, os adocicados e os picantes.
Então o homem refeição de minha cozinha tem que estar no ponto (carne sem muita gordura, mas também não tenra demais) que começa leve, que abre o apetite sem prejudicar tudo o mais que vem pela frente.
Tem que ter aquele tom do mediterrâneo (moreno, mas não demais), muito azeite de oliva (prá poder ter jogo de cintura! hum?!! delícia!!!), umas boas rodelas de tomate italiano (pra saber usar as palavras labiosamente!) e um forte aroma de pesto (marcante, meigo e levemente agressivo, quando necessário).
Nesta fase inicial do preparo, prova-se o homem refeição de maneira quase que inconseqüente, sem pensar em arrependimento ou medo posterior.
Prato principal
Agora se faz necessário colocar toda experiência que adquiri em cozinha.
Até porque o homem refeição tem que cozinhar em fogo brando por horas e horas a fio.
Paciência é tempero principal para se esperar o tempo em que os sabores irão se revelando a cada momento do cozimento e surpreendendo pelo gosto escondido.
Aquele tempero-paciência que permita que o prato fique apetitoso mesmo quando requentado.
Paciência prá se chegar àquele prato que a cada provada nos fazem lambuzar e lembrar: “é esse meu prato favorito”!
O homem refeição deve ser cozido igual a uma paella espanhola ou um putchero argentino. Uma miscelânea de sabores que dão uma satisfação plena ao paladar.
É um prato que não tem erro.
Demora a ficar pronto, mas é certeza de satisfação.
É absolutamente digestivo. Forte. Denso. Quente.
Daqueles pratos que tanto aquecem no inverno como refrescam no verão.
Que pode ser servido na casa dos pais, com avós presentes, ou num jantar a luz de velas; que pode ser servido em feriado, dia santo, aniversário!!!!
Tem o equilíbrio entre a abundância, o volume e a robustez.
E não tem frescuras.
Afinal o cozido geralmente é um prato macho, completo e que sacia!!!!
Sobremesa
Para fechar este homem refeição, uma sobremesa, que não pode ser excessivamente doce (nada de melado, arghhh!!!).
Tem que ter, sim, um doce-amargo de chocolate, mas com uma pitada picante, um toque de noz-moscada, puxando levemente pelo gengibre.
Parece inofensivo, mas o sabor se revela quente e místico.
Este grande final deixa um gosto tropical no céu da boca, um aroma afrodisíaco no ar.
O doce para ser bom e não enjoar, tem que ser na medida certa e dar vontade de repetir tudo de novo, o mais rápido possível.
Buon Apetit!!!
Pronto!! Aí está minha comemoração pelo teu niver!
Agora vou te confessar: preparar um homem refeição suculento, apetitoso, substancioso... enfim uma refeição sensacional é cansativo e necessariamente o final não é lá estas coisas!
Pode desandar a qualquer momento e não tem como remendar para acertar o ponto novamente. O jeito é jogar fora e começar de novo.
E olha que às vezes um cachorro-quente ou um sanduíche ou mesmo um pão com mortadela mata mais a fome que um jantar dos deuses.
E ainda se o final foi ruim não se fica com aquela sensação de esforço em vão.
E assim eu sigo.
Preparando meu jantar dia a dia! Não com aquela fome de matar, mas tendo que dar um jeitinho pra tapear apetite pela gastronomia mais elaborada, que continua teimando em fazer minha boca salivar!!!
FELIZ ANIVERSÁRIO!!!!!
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