Como sempre, minha motivação para os escritos, resulta de alguma leitura que estou fazendo, algum comentário feito em conversas ou mesmo de situações que vivencio no dia-a-dia.
Hoje, não é diferente.
Ontem a noite estava conversando com um amigo (a quem chamo de boa estampa) que também exerce a docência e estávamos falando de nossas relações com o poder.
Comentei que quase tudo o que nos move é resultante desta necessidade que temos de mostrar que temos o “poder” em nós. Assim é o professor, a mãe, o pai, o chefe, o professor.
Nos vestimos, colocamos tinta no cabelo, usamos adornos para mostrar que “podemos” ser diferentes, usamos os títulos para mostrar mais conhecimento. Que “podemos” esconder imperfeições. Que “podemos” interferir na vida de nossos alunos, de nossos filhos, dos que amamos.... e assim por diante.
Ele não concordou muito comigo não, e cavalheirescamente, desviou o assunto.
Não quero falar do PODER em si. Quero falar de desprendimento. Desprendimento de bens terrenos, onde entendo que o poder está inserido.
Estamos habituados a raciocinar que somos um espírito encarnado e, portanto, subjugado ao mundo da matéria.
Assim, logo nos vem a mente que os bens terrenos são as casas, os carros, as roupas e a comida, entre outros de igual natureza.
Claro que esses bens exercem em nós um fascínio, na maioria das vezes contagiante.
É parte das necessidades humanas: o conforto, a boa comida, a roupa bonita, a jóia que enfeita.
Nosso corpo é ainda com o que mais nos identificamos, por isso o valorizamos tanto.
Como estamos em mundo de provas e expiações são as imperfeições que dominam os que nele habitam.
Uma das características deste mundo de provas e expiações é dar mais valor a matéria do que ao espírito.
Um exemplo é o culto a forma física. Estamos, enquanto raça humana, criando um conceito de artificialização do corpo. Nossos jovens, quando não, meninos e meninas, procuram “turbinar-se”, causam danos a sua saúde, deixam de perceber a efemeridade da juventude.
É difícil desprender-nos desses bens, porque mesmo quando falamos sobre esse tema, vem-nos a idéia de que para ser cristão é preciso fazer voto de pobreza – porque confunde-se pobreza com humildade - e os valores do mundo são proibidos pelas Leis de Deus.
Logo nos chega à mente as lições de Jesus quando disse ao moço que deveria vender tudo e segui-Lo para ter o reino dos Céus; ou quando disse que é mais fácil o camelo passar pela agulha do que o rico ir para o Céu.
Fico pensando nas interpretações erradas que os “sábios” das igrejas fizeram e incutiram em seus dogmas e nos quais crescemos, acreditando. Hoje, penso que isso não faz sentido, porque se nos fizermos pobres materialmente passaremos a ser mais um fardo para a sociedade, onde já existe tanta miséria e desigualdade.
Se estes recursos nos foram dados para que possamos gerar empregos ou mesmo consumir os produtos dos que trabalham, nenhum mal existe nisso.
O mal está em obtermos riqueza de maneira desonesta ou quando provocamos danos ao nosso semelhante.
Há, porém, bens terrenos que são muito difíceis de ser vencidos. São os bens ligados aos sentimentos. Mas a sentimentos terrenos, porque na espiritualidade eles inexistem.
Podemos falar de poder, de vaidade, de beleza, de inteligência, de competições.
Não porque elas existam. Afinal são necessárias para que o homem trace objetivos e busque o sucesso. Mas porque não sabemos lidar com elas.
Fala-se tanto na paz do mundo, mas enquanto houver a ganância, a avareza, o egoísmo insaciável dos seres humanos, a paz será impossível.
Não podemos deixar fora dessa análise nem mesmo as religiões. Todas pretendem ter a verdade e não percebem que dividem em vez de harmonizar.
No entanto, todas elas têm parte da verdade e estão, em processo evolutivo.
Quando nossa Doutrina vem nos chamar ao desprendimento dos bens terrenos é para mostrar-nos que somos antes espírito que matéria.
Corpo material somos por um tempo e corpo espiritual, seremos eternamente.
Como os bens materiais mal administrados lesam o corpo espiritual, se não aprendermos agora a valorizar os bens terrenos com equilíbrio, seremos escravos deles, mesmo após a morte.
O progresso e o entendimento são muito lentos. É tudo pouco a pouco, muitas vezes um a um, até que o entendimento seja coletivo e que seja possível, a todos compreender que se desprender dos bens terrenos é libertar-se de si próprio.
Se olharmos pelo conjunto de bens terrenos, vemos que nos desprender de casas e bens patrimoniais é fácil.
Difícil é a mãe desprender-se do filho, a esposa do marido, o cidadão de sua terra natal.
Desprender-se da vaidade, da raça, dos cargos, das posições, da importância que temos no mundo, na empresa, em casa, na sala de aula e assim por diante é muito, mas muito mais difícil.
Quando a Doutrina nos fala em reencarnação é com a finalidade de nos ajustar aos valores espirituais.
É viver no mundo, sem ser do mundo, como bem ensinam os espíritos.
É sairmos daqui melhor do que quando chegamos.
É nos fazer compreender que devemos selecionar, criteriosamente, os bens que vale investirmos.
Se pensarmos somente naqueles que ficam na terra, nada construiremos para o futuro. Futuro que deve ter a dimensão da imortalidade do corpo espiritual e não apenas daquele que ao pó retornará.
Finalmente, penso que desprendimento não é desleixo, desvalorização, pouco caso. Desprendimento é administrar com sabedoria o que nos foi oportunizado vivenciar.
Me parece que isso nos tem faltado!
Boa estampa, podemos voltar ao assunto? Eu pago o frisante (refri, claro!).
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