segunda-feira, 29 de junho de 2015

Retorno

Quando a chuva passar
E o sol novamente sair,
Vou no tempo regressar,
Fazendo o presente sorrir.
Então prometo ser um tanto melhor,
Mais do que sou agora
E não verás mais o lamento do ontem
Mas sim a alegria de minha alma do agora
Preenchida com lembranças do tempo
E do passado que cultivei não como sombra velha
Mas como brasa que alimenta o futuro bonito que sonhei!
Sonhos

Há sonhos que não sonhei
E há sonhos que só eu sei
Em ruas imaginárias de luar
Onde as luzes brotam 
E me fazem acordar
Num dia de sonhar!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Curtinhas virtuais
(momentos poéticos)


Feliz Aniversário Princesa!
Não precisas de cavalos de fogo para ser
princesa
Podes num arco-íres deslizar como num escorregador de alegria
e derramar todos os teus sonhos 
numa xícara de luz 
que tenha um pires dourado como sol
basta imaginar!

mas antes de conquistar
as todas as coisas que mais desejas,

faça um laço e dê muitos abraços
e derrame a alegria da Isabela como chuva de estrelas
assim tu amarras o coração da garotinha amada
E soltas as asas da menina-moça!

JJJJJJJJJJJJ

Desejos – compromissos
2015 está no começo e já estamos sentindo tantos espinhos no planeta; quem sabe se nos propormos a seguir os três princípios abaixo cheguemos ao final dele com mais flores, com mais amor, com mais compreensão!! Vamos tentar? Comecemos por nós! Sejamos a mudança que queremos no mundo!
Mostrar gentileza e respeito
Seremos gentis e teremos respeito com nós mesmos e com os outros, pois cada pessoa que encontramos na vida pode estar passando por uma batalha da qual nada sabemos.
Buscar a sabedoria
Vamos almejar mais sabedoria em nossas decisões, ouvir profundamente a nós mesmos e aos outros, e buscar o equilíbrio entre razão, coração e intuição em harmonia com o que achamos ser correto.
Praticar a gratidão
Vamos constantemente refletir sobre as coisas pelas quais somos gratos; isso nos dá perspectiva, dilui a negatividade e nos faz focar no que realmente importa.

JJJJJJJJJJJJ

Não tinha só adultos, não tinha muitas crianças
Era metade infância e outra metade experiência!
Crianças, para que não esquecer o valor do vento no rosto;
e experiências vividas para lembrar que vento é brisa!!
Perfumada brisa...
PARABÉNS JOÃO BENÍCIO!!

JJJJJJJJJJJJ



Eu acredito! No que? Na felicidade!!
Por pouco tempo acreditei em Papai Noel!!
Fui feliz...
Aí tive a desilusão de saber que ele é só imaginação... 
Mas passou e estou aqui! 
Vivendo Feliz...
JJJJJJJJJJJJ


Não, tempo, não zombarás de nossas mudanças! 
Nem as vestes que novamente vestimos
Não nos parecem novas, nem estranhas;
 
Apenas as mesmas vestes com novas formas em corpos disformes!!


JJJJJJJJJJJJ

Simbora.. 
Viver mais amor,
para dar mais risadas, para ser mais leve,
para ter mais brilho nos olhos;
Simbora...
buscar mais diversão,
mais imaginação, para ficar mais doce..
e nos beijos e abraços
contagiar de vida nossas vidas!!
Simbora...
rumo a Gramado e aos sonhos
Simbora 
Isabela, 
Simbora 
Arthur
 

JJJJJJJJJJJJ

Na imensidão do infinito,
dos olhos tão limitados
é sentir-se marinheiro em alto mar,
passarinho a planar
na busca da sintonia de nossas almas
deixando marcas no ir e vir do olhar!
Infinito.. infinito olhar!!!
Bom dia!!
Façamos uma serena quinta-feira!

JJJJJJJJJJJJ

Fechei os olhos para não ver a beleza 
e a minha boca para não degustar...
E dos meus olhos fechados visualizei a imensidão do belo
e na minha boca fechada senti os sabores que entoaram
palavras mudas do poema que imaginei...
JJJJJJJJJJJJ

Quando o frio da primavera nos surpreender, meu imenso amor te envolverá em vermelho e marrom como as folhas do outono abraçam o sorriso, a alegria e o colorido da primavera!!

JJJJJJJJJJJJ

Na brisa fria deste inverno que se vai, fechei os olhos e pedi que ela levasse tudo o que me é desnecessário e que o sol do amanhã me encha de energia e vigor para construir mais uma estação primaveril florida e perfumada!! 
Assim seja!


JJJJJJJJJJJJ

Quando meu imenso amor se refletir no azul de teus olhos, o calor da jaqueta te aquecerá na brisa da primavera!
JJJJJJJJJJJJ

Somos independentes, mas somos a congregação. Somos diferentes, mas somos tão iguais. Somos sete, mas preenchemos todas as necessidades de crescimento um do outro. Somos os Juncklaus, mas amamos os Della, os Preis, os Silva, os de Lucca, os Heinzen, os Rocha, os de Maria, os Moraes, os Reis.. Amamos, simplesmente!!
FELIZ DIA DOS IRMÃOS, MANOS!!!

JJJJJJJJJJJJ

E como as folhas de outono que caem para se renovarem com as estações seguintes, aqui estou eu, sem medos, permitindo minhas folhas se libertarem para as próximas estações que vivenciarei.
JJJJJJJJJJJJ

Assim vou me lembrar de ti querido amigo Victor José Sebem Ferreira!
Sempre com um sorriso que extrapolava o mero ato de sorrir!! Tua presença era alegria!
Chegavas sempre as terças e partias nas quartas de manhã.
Hoje, nos colheste de surpresa: partiste em um sábado frio.
Frio como sempre gostastes. Frio comum em tua terra querida. 
Mas com um sol quente e iluminador!
A terra tubaronense e os amigos que te acolheram em algumas terças e quartas de tua jornada e os companheiros da Universidade do Sul de Santa Catarina, onde iniciaste tua docência lá nos idos de 1987 (?) e onde até hoje desempenhavas teu magistério de forma que só os verdadeiros mestres o fazem, sentirá saudades, mas guardará as lembranças de tua alegria, disponibilidade, carinho e gentileza para com todos.
Hoje nós estamos tristes porque a ausência de tua presença física será sentida, mas temos a certeza que o Pai, em sua infinita beleza e alegria, te recebe de volta na sua casa com amor.
Que teus familiares possam ser confortados e amparados no amor e na esperança de um reencontro.
Até breve!
JJJJJJJJJJJJ


Sou pessoa de dentro pra fora. 
Minha beleza está na minha essência e no meu caráter. 
Acredito em sonhos, não em utopia. 
Mas quando sonho, sonho alto. 
Estou aqui é pra viver, cair, aprender, levantar e seguir em frente.
Sou isso hoje...
Amanhã, já me reinventei.
Reinvento-me sempre que a vida pede um pouco mais de mim.
Sou complexa, sou mistura, sou mulher com cara de menina... E vice-versa. 
Me perco, me procuro e me acho. 
E quando necessário, enlouqueço e deixo rolar...
Não me dôo pela metade!
Não sou tua meio amiga nem teu quase amor. 
Ou sou tudo ou sou nada. 
Não suporto meio termos. 
Sou boba, mas não sou burra. 
Ingênua, mas não santa. 
Sou pessoa de riso fácil...e de choro também!
JJJJJJJJJJJJ




Vaidade das vaidades!!
Hoje cedo quando, literalmente, fui acordada pelo sol se sobrepondo a imensidão e a sinfonia do mar que me embalou a noite, pensei: porque e prá que sair deste paraíso terreno em um final de semana?

Aí me lembrei de compromissos assumidos no antes e no agora.
No antes, compromisso com Aquele que me ensejou a lição da experiência, do aprendizado, da paciência e principalmente do entendimento das relações entre seres humanos que queremos, sejam sempre fraternos e confiantes e que, algumas vezes, por força das circunstâncias negam ou se desvirtuam dessa essência da alma. 

Foi Ele que me permitiu e permite, ainda, aprender a conviver. A estar aqui.
No agora, aqui estou e, provavelmente meus companheiros de homenagem também, porque percebo que tudo o que disse, fiz e senti dentro desta Universidade posso considerar parte da história, minha e da instituição e como tal, para mim, foram momentos grandiosos, pois construíram o ser que hoje sou. Por isso respeito-os!

Acredito que cada um dos que continuam a trabalhar na UNISUL, independente das administrações que se sucedem, pode construir a sua história, levar consigo a marca do trabalho realizado, do ser humano melhorado e deixar o registro com o carimbo da ética, da moral e do dever cumprido.

Que esta galeria não sirva institucionalmente, apenas, para homenagear os que aqui passaram em funções em que estiveram em determinado momento.

Que, pessoalmente, essa homenagem não sirva apenas para alimentar o orgulho e a vaidade do dever cumprido. 
Antes disso que essa homenagem seja perene no transformar essa Universidade em uma instituição que valoriza seus alunos, funcionários e a comunidade que lhe deu motivo de nascimento, de criação a 50 anos atrás.

Que essa homenagem seja perene no criar consciência institucional de que os gestores passam, ficam suas ações, ficam seus exemplos, ficam seus valores e princípios. Ações, valores e princípios atrelados com os planejamentos, os valores e os princípios da UNISUL, uma instituição que tem alma, no dizer do meu querido Osvaldo Della Giustina.

Que essa homenagem seja perene, na lembrança e no respeito a todos os funcionários, os de hoje e os de cada uma das gestões representadas por esses rostos, que somaram para que estivéssemos aqui os representando.

Então, sem relembrar fatos históricos de criação do Campus, que acredito devem figurar nos escritos próprios da nossa UNISUL, quero agradecer em meu nome e com a permissão do Professor Walter Schmitz Neto, da Professora Milene Kinderman e também do Professor Heitor Wensing, em seus nomes, esta homenagem.

Continuo acreditando que sempre há um amanhã melhor e que a vida nos dá, constantemente, oportunidades para fazermos as coisas melhores, construir um final diferente para nós e para o que conosco trilham neste imenso planeta e nesta grande Universidade.
Singelamente,
Obrigada!
(16 de maio de 2014)


quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Fuiii (despedida de meu trabalho na UNISUL)

Fui!!

Há certas ocasiões, na vida de qualquer pessoa, em que a razão e a emoção suplantam as resistências mais sólidas do espírito.

E com tanta força as suplantam que nos fazem chorar.

Não o chorar no pranto aflitivo dos desesperados, nem o soluço melancólico da saudade, mas o chorar no choro da alegria, que surge do sonho realizado, do dever cumprido.

A vida, para nós humanos, ainda é recheada de inevitáveis contradições. Porém, são exatamente elas que nos imprimem o verdadeiro sentido da existência, nos impulsionando, nos permitindo a evolução material e espiritual.

Certo é que, como um ser humano que buscou, busca e buscará sempre essa evolução, experimentei agruras, vivenciei transtornos e dificuldades, vi de perto e senti, algumas vezes, aflições que doeram na alma.

Mas tive também, no contra balanço das coisas da vida, os meus momentos de alegrias e de júbilos. Um destes, que deixou marcante registro, foi o que me ocorreu quando, no longínquo ano de 1970, iniciei meu trabalho na UNISUL (então FESSC).

Amigo piedoso foi o tempo. Da mesma maneira que me redimia pela pouca idade para assumir os trabalhos exigidos, supriu, muitas vezes, a escassez do mérito.

Foi também o tempo que me ensejou a lição da experiência, do aprendizado, da paciência e principalmente de entendimento das relações entre seres humanos que, entendemos fraternos e confiantes e que por força das circunstâncias negam a essência da alma. Foi esse tempo que nos permitiu e permite, ainda, aprender a conviver.

Hoje, com a consciência absolutamente tranqüila do dever cumprido, despeço-me da UNISUL.
Relembrando parte destes 40 anos e alguns meses trabalhados, percebo que tudo o que disse, fiz e senti dentro desta Universidade posso considerar parte da história, minha e da instituição e como tal, para mim, foram momentos grandiosos.

Acredito que cada um dos que continuam a trabalhar na UNISUL, independente das administrações que se sucederem, pode construir a sua história, levar consigo a marca do trabalho realizado, do ser humano melhorado e deixar o registro com o carimbo da ética, da moral e do dever cumprido.

Espero que aqueles que continuam sua jornada na UNISUL ou mesmo os que buscam maiores oportunidades em outros locais de trabalho acreditem que sempre há um amanhã e que a vida nos dá, constantemente, oportunidades para fazermos as coisas melhores possibilitando, como disse Emanuel através de Chico Xavier, construir um final diferente.

Obrigada a:

Deus pela oportunidade de servir e aprender;

Minha família pelos alicerces espirituais, éticos e morais que recebi e me fortaleceram nesta jornada;

Aos amigos que comigo ajudaram a fazer a UNISUL, construindo, em nós, laços de sentimento eterno;

Aos que, em algum momento, foram colegas de trabalho e que deixaram marcas do profissionalismo;

Aos incontáveis alunos e a comunidade tubaronense, que mesmo sem saber, junto com a minha família, com os amigos e colegas contribuíram para ser quem hoje sou.

Obrigada!

M. Nilcéia Juncklaus Preis
Prá ti, simplesmente, Nil

Um pouquinho de mim, sob o olhar de uma amigo!

MARIA NILCÉIA
O reencontro com a espiritualidade
História de vida de quem ajudou a construir a universidade e redescobriu os valores humanos


Por L.J.Sardá
lj.sarda@unisul.br

A menina miúda de passos largos atravessa a rua sem olhar para os lados. Chega à mercearia A Catedral, cumprimenta a patroa, dona Valga Búrigo, e sai com os braços carregados a distribuir compras aos clientes. Os seus 10 anos não a intimidam. E só quebra o silêncio quando, na volta lenta e cansada, pisa em casa e entrega os cruzeiros trabalhados à mãe Esther.

Hoje, vencido quase meio século de vida, Maria Nilcéia Juncklaus Preis vive taciturna na espiritualidade, em busca de explicações para os mistérios das relações humanas, que já lhe aplicaram muitas lições amargas. E concorda com Augusto Comte, para quem os interesses pessoais nunca determinam amizade duradoura.

Aos 14 anos, teve a carteira de trabalho provisória assinada pela antiga Fundação Educacional do Sul Santa Catarina, atual Unisul, para trabalhar de faxineira. Não rejeitava outros serviços, e assim também fazia café, atendia ao telefone, recepcionava pessoas e nas férias escolares chegou a ser vigia do prédio vazio, hoje a Casa da Cidade, mas que abrigou por alguns anos a Fessc, bem no centro de Tubarão. Na tragédia que inundou a cidade e matou 200 pessoas, a garota irrequieta já se tornara mocinha e pelo seu espírito de solidariedade não hesitou em ser voluntária por 40 dias em socorros às vítimas. Trabalhou de cozinheira no Corpo de Bombeiros para alimentar centenas de desabrigados, e ajudou a Caixa Econômica a acelerar a liberação do Fundo de Garantia. Poderia, como fizeram muitos dos seus amigos, exilar-se em Florianópolis, mas esperou a água baixar para ajudar os pais na construção de uma nova vida, no bairro Oficinas.

O pai Raulino Juncklaus suava na boléia do caminhão para manter a grande família de oito filhos, com a ajuda da esposa Esther, que herdara dos avós italianos a arte da cozinha, produzindo a massa caseira para o macarrão e a polenta. O raditche sobrava nos fundos da casa, onde as galinhas criadas soltas garantiam o reforço com ovos e carne.

O professor Romualdo Muller era duro na queda. Até a ponta mal feita do lápis justificava o castigo de ficar virado para a parede por uma hora. Contudo, o ensino público nas escolas isoladas tinha a qualidade refletida na competência do mestre.
- Quem ainda não se lembra dos professores Romualdo, Elenor Brasil, Alda Hülse, Brandina Garcia, Conceição Fernandes, Robélia Faraco, Valquíria? Eram nomes de respeito nas escolas e que se diferenciavam nas comunidades. E é isto que falta hoje à escola pública, sentencia Nilcéia.

Aos 7 anos Maria Nilcéia já alfabetizada, foi morar com os avós em Tubarão, para onde, dois anos depois, mudaram-se também seus pais, em busca de uma vida melhor. Com apenas 10 anos, a menina irrequieta e disciplinada experimentou seu primeiro emprego, entregando compras da mercearia A Catedral. “Era pesado, mas gostava de fazer pela convicção de estar ajudando meus pais”, lembra com emoção.

Para conciliar os estudos com o trabalho, a escola noturna foi a única opção. Seus irmãos Maria Tereza, Maria Eugênia, Maria Lúcia, José Raulino, Moacir e Osvaldo, ainda na tenra idade, tiveram a chance de entremear as atividades caseiras, ordenadas pela mãe, com entretenimento de infância, ensejada pela pequena cidade de Tubarão, onde predominava a convivência entre famílias, ainda atreladas aos legados italiano e alemão, comum até o final dos anos 70 no interior catarinense.

Nilcéia foi ter noção de consumo quando a escassez de alimentos, provocada pelo golpe militar de 64, agitou as famílias. “Caminhões do Exército circulavam na cidade para entregar alimentos”, lembra, embora ainda criança. A vida simples não a despertou à vaidade. No início da década de 70, o tio Osvaldo Della Giustina convidou-a, embora com 13 anos, para ajudar na limpeza da Fundação Educacional do Sul de Santa Catarina, que se instalara provisoriamente em um prédio no centro da cidade. “Mas ele só assinou minha carteira provisória (de menor) de trabalho quase um ano depois”, alfineta Nilcéia. De balde, panos e vassoura, a menina agitada percorria salas e corredores, ao mesmo tempo em que era convocada para atender ao telefone e fazer café. “De tudo se fazia um pouco, até porque a Fessc estava se afirmando como a primeira instituição de ensino superior do sul do estado”. Já aos 15 anos, ela foi auxiliar Nilton Rocha na contabilidade e pagamentos e cuidar da recepção, onde também atendia ao telefone.

- O equipamento telefônico era de pinos. Para cada atendimento encaixava-se o fio. Às vezes as linhas se cruzavam, rememora com sorrisos.

À noite, cursava a Escola Técnica de Comércio, cujo diploma outorgou-lhe o direito de adquirir a carteira de contadora junto ao CRC. Em seguida, ingressou na faculdade de Administração, desistindo em razão do casamento e da reprovação em matemática, lavrada pelo professor Zé Ramos. Com o nascimento da filha Heloísa, Nilcéia optou por graduar-se em Orientação Educacional. “Serviu para eu educar meus filhos e crescer dentro da Unisul”, justifica.

Durante oito anos foi orientadora educacional do Colégio Dehon, onde também lecionou OSPB (Organização Social e Política Brasileira) e técnicas comerciais.

- Com os estudos e sempre investindo em cursos de especialização, fui galgando funções e praticamente adquiri experiências em todas as áreas da universidade - contabiliza Nilcéia.

Com a morte do marido Lúcio em 1989, Nilcéia desnorteou-se, sem, contudo, perder o destemor de também assumir a paternidade na criação de Heloísa, com 9 anos, e de Rafael, 6 anos. Quando se pensava que o novo desafio a consumiria na vida familiar, Nilcéia ingressou na faculdade de Direito por edital de reingresso.

- Ainda jovem, eu tentei em vão cursar Direito na PUC de Porto Alegre. Rodei no vestibular. O meu retorno aos estudos foi uma necessidade de preencher o vazio que se agigantava com a morte do marido - pondera.

Contudo, o ingresso por edital diferenciava Nilcéia e mais seis alunos dos que haviam conquistado vaga por vestibular. “Foi uma tortura! Chamaram-nos de pára-quedistas e nos alijaram por muito tempo”, lamenta. Mas, no final do curso, a recompensa: ela foi escolhida a “amiga da turma”. Mais tarde, concluiu uma pós-graduação em Direito e publicou um livro, sem deixar suas funções de dirigente pedagógica. Em meados dos anos 90, assumiu a direção do Centro de Ciências Sociais Aplicadas e, em seguida, a do campus de Tubarão.

NOVOS TEMPOS, VELHAS ANGÚSTIAS

O rigor da gestão, interpretado na maneira de cobrar ou de atribuir tarefas, rendeu problemas de relacionamentos pessoais à professora Maria Nilcéia no exercício da direção do campus de Tubarão. Mas a herança disso tudo, que ela não inventariou, resume-se no comportamento enigmático de pessoas “que eu tinha como verdadeiras”.

Ela incorpora a visão de Nietzsche para admitir que com todo o valor que possa merecer o que é verdadeiro, desinteressado, é possível que se deva atribuir à aparência, à vontade de engano, ao egoísmo e à cobiça um valor mais alto. E nisso reside as suas angústias.

- Ao deixar a direção do campus, pensei enxergar o que era sincero no meu relacionamento com as pessoas. E foi aí que eu senti o quanto as pessoas são vulneráveis em sua própria ambição - confessa.

Como poetizou Drummond, “na vida de minhas retinas tão fatigadas nunca me esquecerei de que no meio do caminho tinha uma pedra”. Nilcéia mergulhou firme na espiritualidade para remover os obstáculos, sem esconder que a tristeza de ver muitas verdades adulteradas “me fez chorar, muitas vezes”.

- Mas tive a percepção de que eu encontraria respostas no mundo espiritual. Abandonei o lado material para compreender o ser humano sob o manto da espiritualidade. Hoje, posso garantir que vivo com a paz, na esperança diuturna de ajudar as pessoas - pontua Nilcéia.
Alegre com a neta – “não tenho mais o compromisso de educar; apenas de conviver com ela” -, Nilcéia reencontrou o lado humano para redirecionar sua vida. Com o término do segundo casamento, “redescobri o quanto a vida pode nos encantar, desde que eu saiba enxergar os valores humanos”. Ela aprendeu a costurar e hoje produz até enxovais para recém-nascidos carentes, além de fabricar peças artesanais com o objetivo de arrecadar fundos para instituições de menores e de idosos.

As experiências de vida, enriquecidas pelos exercícios espirituais com que valoriza o ser humano na sua essência, livraram-na do divã e de recursos químicos. “Eu poderia ter me transformado em uma senhora caquética, vivendo de remédios. Optei pelo renascimento espiritual, que me faz enxergar os valores do ser humano e os encantos da vida”.

Maria Nilcéia, que aos 7 anos foi morar com os avós, que aos 10 era entregadora de uma mercearia, que aos 13 fazia faxina na Unisul, que aos 33 ficou viúva, que aos quarenta e poucos se redescobriu na espiritualidade, hoje não guarda mágoa. Como diria Drummond, “você é dura, Maria”.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Culpa

"( ... ) é sempre uma nesga de sombra eclipsando-nos a visão. André Luiz


Tenho me debatido em questionamentos interiores e mesmo com outras pessoas sobre alguns sentimentos que me parece estarem enraizados em nós e que, no meu entendimento, vem de nossa “cultura cristã”.
Também, percebo, em nós, uma certa resistência em analisar, à luz da razão, conceitos como pecado e culpa.

Utilizando o preceito da razão, que a Doutrina Espírita nos traz como fundamento para fé, procuremos fazer uma relação entre o pecado e a culpa para verificar que este processo gera medo e temor e nos leva a conter nossas ações, não pela educação, mas pela ameaça de um “castigo”.

Será essa a maneira adequada de obediência ao Evangelho?
É desta maneira que vamos disseminar o amor entre os homens?
Busquemos a origem da visão da culpabilidade, para posteriormente nos concentrarmos numa busca alternativa.

Lembremos que, quando Moisés retirou seu povo do Egito os hebreus estavam completamente influenciados pela cultura egípcia, e a idéia de um Deus único era estranha e não havia qualquer disciplina entre eles.
Os hebreus constituíam-se num povo rebelde, acostumado à prática do roubo, do adultério e da adoração a vários deuses.
Por serem um povo primitivo, eram incapazes de espontaneamente modificar sua conduta.
Não haveria outra maneira de levá-los a abandonar os velhos hábitos a não ser pela adoção da imagem de um Deus punitivo, um Deus que se irava e que castigava implacavelmente aqueles que não obedecessem a “sua Lei”. Era o tempo do “olho por olho, dente por dente”.

Quando da vinda de Jesus à terra, sua mensagem falava de um Deus tão amoroso que ele o chamava de Pai.
A mensagem para os povos não era mais o antigo conceito do Deus vingativo, mas do Deus que perdoava e que nos queria vivendo como irmãos, perdoando e oferecendo a outra face, a outra maneira de fazer as coisas.

Mas a igreja “evoluiu” e na Idade Média, ela resgatou o conceito mosaico do pecado, da culpa original, e a idéia de que os pecadores precisavam ser castigados como forma de remir a culpa.
Esta igreja também fortaleceu a idéia da ação do demônio na vida dos homens e de que se não “pagássemos” pelas nossas faltas estaríamos irremediavelmente condenados ao fogo do inferno. Essa concepção foi transmitida através das gerações e chegou até os nossos dias, onde continuamos temendo os castigos de Deus.

É através da razão, que a Doutrina Espírita recompõe a idéia de um Pai amoroso e com uma visão amadurecida mostra um outro entendimento sobre o pecado e a culpa, lançando luz onde antes havia escuridão e trazendo conforto e esperança aos homens.

É com o advento desta Doutrina que apagamos a noção de pecadores culpados e passamos a assumir o papel de seres em evolução, ainda imperfeitos é verdade, mas rumando, indubitavelmente para uma condição superior onde não mais cometeremos os erros passados e atuais.

Alguns podem julgar esta posição absurda, mas então vamos parar um minuto e nos perguntar: Quantos de nós, que somos humanos, ao invés de darmos nova oportunidade a nossos filhos, quando estes fazem algo que julgamos errado, os expulsamos de casa e os condenamos a viver eternamente com sua culpa?

Se é assim que acontece conosco, então por que Deus que é o infinito Amor agiria de uma forma pior do que a nossa? Afinal não foi Jesus quem disse: “Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus” (Mateus 7:11).

A culpa não encontraria abrigo em nossa alma, se tivéssemos uma ampla fé no Amor de Deus por nós e se acreditássemos que Ele habita em nosso âmago e sabe que somos tão bons e adequados quanto permite nosso grau de conhecimento e de entendimento sobre nossa vida passada e presente.


A luz lançada pela Doutrina Espírita, nos faz raciocinar e permite que apaguemos de nossas mentes a idéia da culpa.
Somos responsáveis pelos nossos atos e devemos responder pelas nossas ações, não através do famigerado castigo, mas através de mecanismos que nos levam à conscientização de nossas atitudes equivocadas e da reparação desses atos.

O equívoco faz parte do processo de aprendizado e como seres em evolução precisamos vivenciar as mais diversas experiências para alcançar o progresso espiritual, e nessa jornada de luz é natural que nos enganemos, mas, é imprescindível que nos esforcemos para crescer.

A Doutrina Espírita nos dá o entendimento de que o objetivo da lei divina não é punir, mas, educar, fazendo com que cada indivíduo evite repetir seus erros pela compreensão de que sua atitude passada foi inadequada e que é necessário uma mudança de conduta.

Nos faz compreender que as fases deste processo de mudança são:
o arrependimento ou seja, o momento em que reconhecemos a nossa falha de conduta;
a expiação, que é quando vamos refletir sobre o que fizemos;
e finalmente a reparação, que é o ápice deste processo, pois é quando alteramos nossos passos ou corrigimos o ato errado.

Observemos a lógica racional desta proposta: nela todos saem enriquecidos; nós, pelo amadurecimento, e o outro (a quem porventura prejudicamos), por ser valorizado ao consertarmos os nossos enganos.

Enfim a Doutrina Espírita nos dá o entendimento de que a vida é uma dádiva de Deus, que nos concedeu-a, para que alcancemos a felicidade, e não para vivermos com culpa.

É, sim, necessário que trabalhemos para alcançar a comunhão com Ele, na certeza de que: “Todo homem podendo corrigir as suas imperfeições pela sua própria vontade, pode poupar-se dos males que delas decorrem e assegurar a sua felicidade futura” (o Céu e o Inferno, Cap. VII).


Nil
Vila, 31/07/2009